Nota do editor:

Eu bem que queria escrever o título desse artigo como "histórias, jogos e direito'. Mas, para fins de indexação nos mecanismos de busca, vamos utilizar os termos em inglês mesmo. Somos a favor da democratização do acesso à informação, porém, a maior parte dos estudos sobre o tema está em inglês. Assim, a maioria dos leitores pode aprofundar os estudos e posteriormente produzir mais conteúdo, até o ponto em que possamos criar nossas próprias nomenclaturas.

O ser humano é um contador nato de histórias. Assim, propagamos o conhecimento de geração em geração com ajuda da memória e capacidade oratória de alguns indivíduos. Atualmente, na sociedade em rede, ouvimos histórias de todos os lados, somos bombardeados por informações de todos os lados.

Nessa abundância de narrativas, para captar a atenção de alguém, telas bonitas não bastam, a atenção demanda conexão. E como gerar conexão?

Com histórias bem contadas. Ao ler um texto com uma lista, a informação passa pelo processamento de linguagem no cérebro, pela decodificação daqueles símbolos postos.

Nós nos esforçamos para compreender o conteúdo. Mas, quando contamos histórias que geram o reconhecimento do interlocutor, ele apura a informação rapidamente.

Esse gatilho aciona nossa atenção plena, faz nosso corpo vibrar com a história. No mundo dos jogos, vemos que jogos são verdadeiras histórias.

E ainda mais poderosas, pois o jogador está imerso na experiência. Nos games, existem alguns elementos primordiais: regras e objetivo. O jogador busca concretizar uma ação num mundo com novas regras e controles. Mas, para que as pessoas obtenham um modelo mental de como funciona o novo mundo, um sistema de feedback consistente precisa ser construído.

Jogos não se podem dar ao benefício de terem designs ruins, pois são voluntários. Joga quem quiser. Por isso, os jogos bons são um ótimo convite a um estudo de design sistêmico.

Como podemos pensar na aplicação dessa mentalidade ao direito?

O direito tem o benefício de ter um design ruim. Ele é obrigatório. Ele tem alguns pontos em comum com os jogos, pois tem objetivo (pacificação social) e regras específicas (muitas e complexas). A informação jurídica é estruturada por uma linguagem que remete a um sistema abstrato. Para explicar essa abstração, existem conceitos densos, os quais demandam estudo prévio.

É um ótimo campo para simplificação, e para o contar de histórias. Pensar num sistema de feedbacks que ajude os cidadãos a utilizar o sistema jurídico é um desafio muito bom de resolver.

Quer aprender mais sobre games e storytelling?

Vamos bater um papo